O X poderia estar em querermos possuir poderes mágicos para evitar os sofrimentos e conseguirmos, sem esforço, alcançar os nossos intentos. Se não, pelo menos termos um superpoder: uma visão de raios-X, por eXemplo. Assim, com certeza, tudo seria diferente. Ao nosso olhar, as pessoas seriam transparentes; poderíamos ler mentes, eXercer o poder sobre elas, transformar a realidade das coisas, quiçá, conquistar o mundo, enfim, sermos felizes. Mas nem tudo é mesmo assim.

    Clark Kent voa mais rápido que os pássaros, tem visão de raio-X, possui músculos de aço, mas também tem a paiXão não correspondida por Louise Lane, que sofre de “apaiXonite” crônica pelo Super-homem e, de quebra, ainda tem em seu desfavor, a tal da criptonita. Seria, então, o Super-homem feliz?

     Crianças são felizes porque são simples e puras. Xamãs, amparados por divindades, num ato de amor à vida, ajudam o próXimo, por isso são luminosos os seus espíritos e pacíficos os seus corações.

     Felizes os que não sofrem! Não sofrem os que aceitam o suficiente que a realidade da vida lhe põe às mãos.  Felizes os Xamãs, praticando o bem, em suas longínquas aldeias, e os meninos nos terreiros cruentos e Xerofíticos da caatinga infestada de XiqueXiques, a brincarem com suas Xipocas e consolarem-se com a minguada Xepa, sem Xingação nem Xavecagem.

     São sábios aqueles que assumem os seus infortúnios e veem nele a oportunidade de aprender novas lições com a crença e a esperança de que, na vida, não eXistem desafios intransponíveis enquanto houver fé, esperança e vontade de lutar.

     Ainda que as circunstâncias imponham um Xeque-mate, vitoriosos são os que não fazem disso um cavalo-de-batalha, e partem para uma nova peleja. Pois, não fosse assim, seriam felizes apenas os vencedores, os sortudos jogadores, os possuidores de muitos bens e poder. Entretanto, às vezes, são esses, quase sempre tão infelizes!

     O X da questão não está, pois, no que de material possuímos, no vil metal ou na conquista da fama; valores tão efêmeros. Está no que a vida nos ensina e no quanto nos dispusermos aprender com as aparentes derrotas, com os eventuais tropeços, com as decepções, bem como nos bons atos que praticamos aos outros e que, beneficamente, refletem em nós.

     Dentro de cada ser, residem a questão e a solução. Somente quando nos abrirmos a esta compreensão, assim como a flor que se entrega, em pétalas, a eXalar o perfume que atrai os agentes responsáveis pela sua fecundação e frutificação, conseguiremos despertar o Xamã que reside dentro de nós; reavivaremos a esquecida criança, para quem só eXiste o presente e que se nutre de esperança, adquiriremos o poder para a realização dos nossos sonhos e enXergarermos o inevitável e real sentido da vida.

   O aXial não é o “ter”, é o “ser”. O ser integral, em sua máXima eXpressão.

   Eis a verdadeira visão de raio-X a ser desenvolvida. E, ao utilizá-la, primeiramente em nós, nos transformaremos em aprendizes e mestres; adquiriremos a cura e o poder dos curadores; seremos todos Xamãs.

   Nos conscientizaremos de que o mais importante é confiar-se para confiar, perceber-se para perceber, permitir-se para permitir, tolerar-se para tolerar, amar-se para amar, incondicionalmente.

   EXercitaremos a coragem de poder errar e perdoar-se, de poder compreender e perdoar o outro. Conquistaremos a confiança e a força para enXotar as criptonitas da culpa, dos grilos, da tristeza e do desânimo.

   EXerceremos o amor-próprio, para compreender o amor, para valorizar a natureza e amar a vida.    

   O X da questão é ser o Xamã de si mesmo, o Xerife da alegria, o Xereta da felicidade, o Xodó da fantasia. Portanto, o bom êXito da nossa eXistência não reside em outro lugar, senão em nós. O X da questão, pois, está em  enXergar a si e ao outro com os olhos da alma, em eXercitar o humilde ato de agradecer a graça de viver, reconhecendo a eterna beleza da vida...

    AXé!

    Jair Araújo - escritor

     Membro Correspondente da ALACIB - Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil, Mariana/MG.

     Membro efetivo da SBPA - Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas. 



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