Por Jailton Brito (Xiita)
A paralisação dos policiais militares da Bahia completa uma semana e em uma coisa todos concordam: passou da hora de terminar. As negociações atravessaram a madrugada dessa terça-feira (8), tendo à frente o secretário da Casa Civil, Rui Costa, e tudo indica que o impasse esteja próximo do final.
O Governo da Bahia já aceita pagar a gratificação por atividade policial (GAP 4 e 5), uma das principais exigências dos grevistas, e sinalizou com a possibilidade de reajustes parcelados até 2015. Com isso, os ânimos tendem a se acalmar no Centro Administrativo da Bahia (CAB), principalmente na Assembléia Legislativa da Bahia, cujo prédio está cercado por tropas federais incumbidas da desocupação e cumprimento de mandados de prisão aos líderes do movimento.
O governo Wagner enfrenta a sua pior crise e ainda tem muita dificuldade para negociar uma solução pacífica. Por ironia do destino, o ex-sindicalista Wagner, hoje, tem que tratar as reivindicações de servidores públicos do outro lado da mesa, na condição de patrão. E, como tal, se utilizou de todos os meios e instrumentos, principalmente os coercitivos, para fazer frente ao movimento dos PM’s que obteve apoio maciço da corporação.
Com a entrada no campo de batalha do secretário Costa, que alguns consideram a própria “sombra” do governador, com aval para fechar um possível acordo com os policiais, o consenso fica mais próximo e o final da paralisação é aguardado para breve. Com o prolongamento da crise todos perdem. O próprio movimento grevista se enfraquece e sofre desgaste perante a opinião pública. O clima de terror instalado na capital e Região Metropolitana, e em várias cidades do interior, causou sérios prejuízos às economias locais.
Muitos criminosos se aproveitaram do momento e agiram em saques a lojas e supermercados e em sabotagens contra o transporte coletivo ocasionando uma sensação de total insegurança vivida pela população nos últimos dias. O comando de greve dos policiais nega qualquer participação nessas ações. O fato é que nenhum grupo armado pode subverter a ordem, por isso os abusos devem ser investigados e punidos.
Que os acontecimentos sirvam de lição para o governo não deixar que no próximo ano aconteça da mesma forma. O movimento só chegou a esse ponto devido a incapacidade dos negociadores de se anteciparem aos desdobramentos de uma mobilização que já vinha sendo gestada dentro dos quartéis há muito tempo. Logo será a vez dos policiais civis e, em seguida, outros servidores públicos irão colocar as suas demandas na mesa de negociações do governo.
Será um grande desafio para o partido que durante muito tempo liderou e incentivou várias greves no serviço público e hoje está no comando do Estado. De estilingue à vidraça, esse é o dilema enfrentado pelo PT que agora é patrão da sua antiga “classe trabalhadora”.