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Crônica: Marcos Jacobina, o amigo

Quando cheguei em Jacobina, um dos melhores seres humanos que tive a felicidade de conhecer por aqui foi o inesquecível Marcos Antônio Jacobina Santos.

De tão amigo ele virou até padrinho de meu casamento com Isa Cedraz, fazendo-se acompanhar de sua esposa Leda Jacobina, na Igreja da Conceição.

Muita gente conheceu o médico ou o político Marcos Jacobina, o Dr. Marcos, um ser humano acima de tudo, uma espécie de Irmã Dulce ou Madre Tereza de Calcultá, ao se dedicar a atender aos mais pobres, os pés descalços, os descamisados, de forma espontânea, natural, própria dele, trabalhando horas a fio, longe dos holofotes, vencendo longas filas, ultrapassando barreiras e mais barreiras, sem nunca desistir.

O nosso querido Marcos não fazia nada forçado, tudo fluía com absoluta transparência, o sorriso era fácil, ele era a mistura do espontâneo com a naturalidade.

Foi vereador por dois mandatos, desenvolveu trabalhos parlamentares importantes e até atípicos em se tratando dos vícios da política porca de cada dia, mas eu sempre lhe dizia que dificilmente iria ser prefeito de sua terra natal, sonho almejado devido às insistências das pessoas mais humildes.

Marcos não chegou a ser prefeito e dificilmente iria alcançar esse cargo, pois ele era bom demais para as canalhices da política jacobinense, em que um dia houve até o carrasco que lhe traiu de forma covarde, embora tenha lhe empenhado a palavra. Mas que palavra?

Marcos era bom demais para a sordidez da política, ele jogava limpo, não comprava votos, não era hipócrita, não sabia ser falso, não sabia dar tapinhas nas costas e apunhalar depois.

Positivamente, Marcos era puritano demais para a nossa política.

Mas era querido, amado, leal, digno, cidadão, plural, confiável, amável, sensível, puro, um ser vital para essa pobre vidinha que levamos.

Jacobina e a Bahia não perderam só um excelente médico anestesista.

Nós perdemos um ser humano maravilhoso que anestesiava a nossa dor, que estendia a mão, que fazia o bem sem perguntar a quem.

Há alguns dias ele esteve aqui na sede do Corino Urgente para lançar o marketing de sua campanha rumo à Prefeitura de Jacobina, pelo PSB, tendo como slogan “Pode ser”.

Este bloguista havia criado para ele também as campanhas “Jacobina Ama Jacobina”, em 2004, e “Saúde para todos”, na eleição de deputado estadual, em 2010.

- E aí, Bichão? – era dessa forma que ele sempre me chamava, sorridente, acrescentando: - Qual é a boa?

Um dia Deus poderá inventar outro Marcos Jacobina e fazê-lo doutor dos amigos, mas não será a mesma coisa.

Marcos, o Antônio de Jacobina de todos os Santos, esse não poderá ser reinventado.

Esse foi único. E a receita já não existe mais.

CORINO RODRIGUES DE ALVARENGA

 

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