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Fale Direito: obrigado pela generosidade

Era uma tarde de terça-feira e eu estava preocupado porque haveria o Programa Fale Direito Especial de Natal, projeto de extensão da Uneb em parceria com a Jacobina FM, no dia seguinte e pretendíamos doar 131 cestas básicas e só contávamos até aquele momento com cerca de 80 cestas. Não me pergunte porque eu invoquei que tinha que ser 131 cestas básicas, foi num momento de rompante. Na realidade, percebi que pensava em Jacobina e suas dicotomias, terra do ouro com tanta pobreza, mas também na sua força, na generosidade do seu povo e lembrei que a cidade já tem 131 anos de tradição.
Liguei para meu amigo querido, Geraldo Oliveira, âncora do programa de radio Blitz total primeira edição, meu companheiro das manhãs da quarta-feira vermelha. Acordamos de sair pelo centro da cidade, visitando cada loja, pedindo aos comerciantes que aderissem a nossa campanha natalina. Não é fácil pedir, prefiro infinitamente doar, mas pedir me faz crescer. Respirei fundo e lá fomos nós. Vivenciamos naquela tarde, inicio de noite, as mais diversas reações. Alguns nos olhavam indignados como se quisessem falar “o que é que vocês estão ganhando com isso? Não tem mais o que fazer?” Outros, como a estimada Cleia, nos olharam com ternura e solicitude.
A cada lugar, estabelecimentos comerciais que entravamos, nos chegavam sensações das mais diversas, que variavam da perseverança à desistência. Nenhuma foi igual à outra...Neste ínterim, entramos em uma das lojas do Grupo de Diassis. Imediatamente, Geraldo avistou um dos filhos do proprietário e foi logo me apresentando e falando empolgadamente sobre a campanha natalina do Fale Direito. Ele, como já o conhecia, estava num sentimento de que ali conseguiríamos mais uma parcela de colaboração.
O jovem rapaz me olhou fixamente e, após saber do que se tratava, num leve sorriso explicitou sobre a colaboração da loja e da importância de campanhas como aquela. O nome do jovem rapaz é José Werbson Oliveira da Silva.
Fico imensamente triste quando vejo um jovem partir. É como se a natureza fosse desapropriada do seu direito de nos ver envelhecer, numa total inversão da ordem das coisas. Porém, não gosto da idéia de que só porque morreu passou agora a ser um santo ou até mesmo Deus, na perspectiva de que somente o falecido sabia das coisas.
Somos gente, seres humanos numa trajetória que, para alguns, pode ser longa e, para outros, tão curta que chega a nos machucar esta fugacidade. Contudo, não há como perder a perspectiva do humano, aliás o que nos diferencia de Deus é justamente a nossa mortalidade. É uma pena que muitos de nós esqueçamos que somos mortais.
Este artigo é para dizer a José Werbson apenas um obrigado pela generosidade, pelo sorriso fraterno que nos proporcionou enquanto colaborava. Embora só tenha lhe visto naquele momento, é seu sorriso que será guardado. Valeu a pena ter ido, mesmo que através do acaso, ao seu encontro naquele dia. Mas será que existe acaso? Existe sim, porque é o acaso, desprovido de memória e reflexão, que permitiu sua partida precoce. Se o acaso tivesse memória, lembraria do seu sorriso, do seu acolhimento e não permitira sua ida.
Este escritor, juntamente com Geraldo Oliveira, com toda certeza, lhe procuraríamos novamente no Natal 2012, porque saberíamos a quem estaríamos indo ao encontro e a ternura que encontraríamos. A humanidade lhe perdeu, mas não deve perder sua ternura. Obrigado!

Ricardo Sampaio é advogado com Mestrado em Direito pela Unicap e Professor do Curso de Direito da Uneb-Jacobina

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