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Crônica do Professor Osvaldo Bastos: O Eterno Brasil

OSVALDO BASTOS - Professor de Sociologia, formado pela UFBA

Como sempre aqui no Brasil não se está dando a devida atenção à nova etapa da antiga crise do modelo “Bem-estar Social” que aflige os Estados Unidos e a União Européia.  Este problema já se arrasta desde os anos 70 do século XX e o Brasil, sempre fez parte deste contexto. 
Mesmo com um grande trabalho da imprensa e do meio acadêmico tupiniquim em falar de futebol e outras coisas alegres, ou pesquisar sobre crime nas favelas para concluir que o “problema é social”, o Brasil nunca esteve isolado do mundo.
Os atuais cortes dos gastos sociais e outras medidas que, a partir da Grécia, vários governos tiveram que adotar, acende uma luz vermelha, numa questão na qual os brasileiros, só querem enxergar confetes e serpentinas. Ainda é possível falar em conquistas de direitos? Chegamos à era da restrição e perda de direitos? Até quando políticas de contenção como “Bolsa Família”, poderão ser sustentadas por governos com orçamentos deficitários ou comprometidos com investimentos necessários ao incremento da produção e do emprego?
Aqui no Brasil apenas se publica que o governo toma medidas para proteger o país de tais impactos. Mais uma mentira. O que é preciso reconhecer é que todos os países periféricos são réplicas mal acabadas e já ultrapassadas em tudo, dos modelos Norte Americano e Europeus. Por isso, o nosso “Bem-estar”, tem origem lá. Se os modelos originários, os quais tomamos como matrizes estão em colapso o que pensar do nosso. Um bom exemplo é o da nossa crônica crise previdenciária. Por aqui, governo após governo vão empurrando o problema para a próxima gestão por não haver coragem de enfrentar um problema que levará necessariamente à tomada de medidas impopulares. Ou seja, não eleitoreiras. 
Neste contexto, o problema da corrupção associado ao desvio do dinheiro público é um sério agravante. Mas, quem se preocupa com isso? Poucos brasileiros.
Vejamos algumas incoerências nos discursos das classes sociais brasileiras:
Os empresários costumam reclamar da carga tributária, mas não reclamam da sonegação fiscal, do perdão de dívidas fiscais milionárias, empréstimos e financiamentos com dinheiro público que tantas vezes não chegam aos destinos, licitações públicas fraudulentas etc. Mas, quando se fala em direitos trabalhistas parece até que já chegamos ao Apocalipse. “Custo Brasil”. É o que dizem. 
A elite acadêmica insiste em criar e reproduzir mitos paradisíacos induzindo tantos incautos a não enxergar a realidade que está a um palmo do nariz. “Problema Social” nunca foi criminologia, sociologia ou “consciência crítica”. É uma forma cômoda, sofisticada e politicamente correta de culpar os pobres por tudo. Até por serem pobres e todas as suas conseqüências. Se o problema é Escola é porque ela reproduz a ignorância e alienação num modelo insuportavelmente burocratizado, voltado prioritariamente, para produzir diplomas e estatísticas. Mas as classes subalternas parecem aceitar. Pois, interpretam esse modelito como uma forma de ascensão social. Até que lá adiante se deparam com o real. Aí a única saída é falar em discriminação e constrangimento.  
Até quando nossa frágil república e uma democracia reduzida ao voto em urnas para reproduzir estas relações econômicas e de poder poderão suportar este peso? 

Prof. Osvaldo Bastos  - Sociólogo e Cientista Político. Mestre em Ciências Sociais. Professor Universitário e Escritor. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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