
Rui Macedo, ex-prefeito de Jacobina
O entrevistado desta semana é o pré-candidato a prefeito Rui Rei Matos Macedo, 55 anos, casado, pai de três filhos. Formado em Medicina com residência em Cardiologia, na vida pública ocupou o cargo de deputado estadual por dois mandatos, foi secretário de Saúde e prefeito de Jacobina.
Tribuna Regional – Em seu último ano de governo vários convênios com o governo federal não tiveram sua obras concluídas, com isso parte dos recursos foram repassados já no governo de Valdice Castro. Faltou competência de sua equipe na aplicação desses recursos?
Rui Macedo – Não necessariamente, mesmo porque os recursos não eram meus e sim do Município. As verbas federais repassadas aos municípios obedecem a rigorosos controles da CGU e do TCU e os critérios para sua liberação são rígidos. A liberação ocorre em parcelas de acordo com as fazes de execução e a sua aceitação ou não por fiscais dos ministérios e da Caixa Econômica Federal. Tivemos competência para elaborar os projetos, buscar os recursos e liberá-los. Iniciamos diversas destas obras e muitas delas foram concluídas no meu governo (a exemplo do Novo Amanhecer) e outras, não por competência, pela atual prefeita. Independente de quem concluiu a obra, o recurso foi conquistado por iniciativa do nosso governo. Agora fico pensando o que será de Jacobina nos próximos 4 ou 8 anos. Nenhum projeto, nenhuma emenda orçamentária importante. Triste Jacobina. Sem governo, o que será feita do teu futuro?
TR – Como o senhor avalia a administração da prefeita Valdice Castro?
RM – Difícil de responder. Como avaliar o que ninguém viu. Deixa-a começar a administrar.
TR – E do Governo Wagner?
RM – Sofrível. Falta ações nas áreas de educação, saúde e segurança pública. O crescimento tem que ser para todos inclusive para os baianos. De que adianta um Estado rico de um povo pobre, sem saúde, educação e sem segurança pública?
TR – Como o senhor avalia sua administração como prefeito?
RM – Bom. Escolhi algumas áreas prioritárias como a saúde pública em todos os níveis e acessível a todos, a educação de qualidade com investimentos na melhoria dos salários e qualificação dos professores, além do investimento na ação social com o CRAS, CAPS, CAPS AD, melhorias habitacionais e entrega de 480 casas populares à população pobre. Procurei ainda colocar a cidade de Jacobina com "carro-chefe" do desenvolvimento regional. Chamei para cá a responsabilidade de Cidade Mãe e pólo de desenvolvimento regional. Estimulei a implantação e valorização de diversos conselhos municipais, a exemplo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, do de Saúde, de Educação, de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, de Defesa do Meio Ambiente e tantos outros. Procurei democratizar a administração pública. Por falar nisso, o que foi feito dos conselhos? Alguém conhece algum conselheiro ou sabe quando ocorre uma reunião?
TR – Esta semana o senhor lançou sua pré-candidatura a prefeito de Jacobina, porém, o outro pré-candidato Amauri Teixeira (PT) acredita muito em seu apoio. Há possibilidade de o senhor vir a apoiar Amauri?
RM – Eu não fiz nenhum lançamento oficial de candidatura ou pré-candidatura. Todos sabem que sou presidente do PMDB, ex-prefeito, ex-deputado e tenho um compromisso muito grande com a cidade e com diversos companheiros que acreditaram e acreditam no meu trabalho e gostariam de ver o meu retorno. Isso me obriga a manter o meu nome sempre disponível a qualquer necessidade de uma nova luta. Já disse o Saint-Exupéry que nos tornamos eternamente responsável pelo que cativamos. Acredito na unidade, na união de todos os candidatos responsáveis, que gostam do povo simples e humilde de Jacobina, para derrotar o mal, o descaso, o desmando, o abandono, a perseguição, enfim o despotismo. A minha humilde contribuição para a unidade é manter meu nome reservado e conversar com todos que querem uma cidade justa. Seja Amauri Teixeira, Zé Amin, Juliano Cruz, Marcos Jacobina. João Cléber, Hildebrando Cedraz, Milton Sena, Carlinhos do PT, professora Azize Fahiel, Pastor Milton César ou qualquer outro nome que seja catalisador da vontade de libertar Jacobina do mal.
TR – Há comentários na cidade de que caso a oposição saia unida em torno de um único candidato, são grandes as chances de vitória, caso saia desunida a reeleição de Valdice é dada como certa. O senhor acredita nisso?
RM – Tudo que foi dito até o momento é pura especulação. É o que chamamos de guerra fria. Existem métodos científicos de medir a possibilidade de vitória ou derrota desta ou daquela coligação e certamente estes métodos (pesquisa quantitativas e qualitativas) serão utilizadas pelos pretensos candidatos. Não existe vencedor e nem ganhador de véspera.
TR – Nas últimas eleições o senhor contava com um grande grupo, inclusive com 70% dos vereadores. Hoje a situação é bem diferente. O senhor acredita que poderá vencer as eleições mesmo sem os apoios de antes?
RM – Todo processo eleitoral é um aprendizado. Aprendemos com o amor e com a dor. Em nossa caminhada conhecemos pessoas com pensamentos diversos, de caráter e personalidades diferentes. Algumas destas passam, sucumbem e não voltam nunca mais, caem no ostracismo, outros, mais firmes de caráter resistem às tentações e conseguem enxergar mais distante. Estes sim são imprescindíveis, não tem preço. São tantos exemplos. Eu diria que ocorre uma seleção continuada. Os bons estão comigo até hoje, os fracos, graças a Deus, se foram e que não voltem. Pense bem, quem são os melhores vereadores de Jacobina?
TR – O PMDB e o PT em nível estadual são grandes adversários. Essa divergência poderá interferir em Jacobina?
RM – Sim. Por isso temos que ter muita sabedoria e paciência. Uma eleição é antes de tudo um jogo de muita paciência. Como num jogo de xadrez. Temos que levar em conta as questões locais e regionais e também levar em consideração que no plano federal os dois partidos são aliados de primeira hora.
TR – Suas contas tiveram parecer desfavorável do TCM e foram rejeitadas pela Câmara Municipal. O senhor tem esperanças de reverter a situação na Justiça e viabilizar sua candidatura?
RM – Claro. Vou buscar na Justiça o direito constitucional que me foi negado pela Câmara. O direito a ampla defesa e do contraditório. Todos sabem que havia interesses de todos em julgar aquelas contas antes das eleições de deputado e para isso ignoraram os mais elementares direitos constitucionais.
TR – Ser candidato apenas para atrapalhar o processo, beneficiando a prefeita Valdice, e tentar se eleger em 2016, não seria um jogo político interessante?
RM - Para um "político" medíocre que pensa desta forma, sim. Tenho pensamentos mais elevados.
TR – Qual sua mensagem final?
RM – Jacobina tem jeito. Maior que a truculência são os poderes do povo. O povo unido jamais, jamais será vencido. União contra a truculência. Esta é a palavra de ordem.